Na estréia de hoje eu quero aproveitar um dos emails que chegou e perguntava o que eu faria quando existem crianças, sejam irmãos caçulas ou sobrinhos. Bem, meu caçulinha tem doze anos, mas na época que o Lucas assumiu(eu odeio essa palavra, mas não achei outra) ele tinha quase sete e, claro, tinha um milhão de perguntas. Eu disse que não ia dar conselhos, mas esse não é meu, é dos psicólogos: quando uma criança pergunta algo, responda APENAS o que ela perguntou. Se uma criança pergunta de onde ela veio, ela não está esperando uma aula de biologia e toda a mecânica do ato sexual, se você responde "da barriga da mamãe" ela ficará plenamente satisfeita. Então não crie problemas onde não existem e seja econômica.
Se uma criança pergunta o que é ser gay, responda de maneira direta e simples: é um homem que gosta de outros homens ao invés de mulheres ou uma mulher que gosta de outras mulheres ao invés de homens. E eu garanto que a criança ficará plenamente satisfeita no momento. Aliás se ele tiver mais ou menos uns 6-9 anos e estiver na fase do clube do Bolinha vai achar que isso faz muito mais sentido do que gostar de meninas! rsrs
Não minta, não esconda. A criança não vive numa redoma de vidro e, mais dia menos dia, um coleguinha da escola, o adolescente no play ou um vizinho rabugento vai soltar a bomba. E a criança precisa estar pronta para lidar com a homofobia por tabela. Se ela escutar palavras como veado e sapatão, explique o que significa e mostre que são palavras preconceituosas e que as pessoas, muitas vezes agem assim por ignorância. Preconceito não é genético, é adquirido, não deixe sua criança ser contagiada por ele.
Por fim uma questão complicada e controversa: como lidar com o namorado(a) do filho(a) na frente da criança? Permitir beijos, abraços? Evitar? Bem...eu acredito que uma criança que cresce em meio a manifestação saudável da sexualidade, se torna um adulto mais confiante e menos reprimido. Claro que não estou falando de fazer sexo no sofá da sala, mas beijos na chegada e na despedida, assistir tv abraçado ou simplesmente demonstrar carinho pelo parceiro, não causarão nenhum trauma a psique infantil. Pelo contrário! Essas crianças se tornarão adultos mais livres de ideias tacanhas e atitudes preconceituosas. Hoje em dia o Saulo nem mesmo pisca quando vê o Lucas deitado no colo do namorado no sofá...a não ser que seja para reclamar de não ter espaço para sentar!
Então é isso...coluna de estréia dá um friozinho na barriga portanto adoraria ouvir as opiniões de vocês, críticas e sugestões são bem vindas. E quinta feira que vem tem mais!
Um comentário:
Valeu pelo texto ! É isto aí...estou pronta para a Camille e suas perguntas...hahahahahaha
bj querida
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