Nas últimas semanas um retrocesso político tomou conta desse país. Esqueceu-se que vivemos em um Estado Laico e passou-se a usar de maneira cruel e oportunista o que esse país tem de mais atrasado e tacanho: o ranço de uma colonização religiosa, que confunde direitos civis e consciência pessoal. No olho do furacão um grupo marginalizado vê dois candidatos acuados pelas Igrejas, abandonarem qualquer luta em seu lado. E assistem, ora apavorados, ora surpresos, ora estáticos lutas de anos escorrerem pelos dedos.
Eu não vou aqui defender e nem acusar nenhum dos candidatos. Tome você a decisão que quiser e vote ou não em quem quiser. Mas antes de fazer isso, sem saber nem sequer contra o que você está se posicionando, vamos esclarecer um assunto que as pessoas discutem na maior parte das vezes sem saber do que estão falando.
Um dos temas que tomou conta das discussões é a tal da União Civil Homossexual. A Igreja grita absurdos sobre cerceamento da liberdade de culto e Padres obrigados a casar gays. Vamos começar esclarecendo essa palhaçada e dizendo que NINGUÉM está falando em casamento religioso, que é competência das religiões com suas crenças e dogmas. Vou tentar ser o mais didática possível, não sou advogada, mas tentarei explicar as coisas a luz da Lei. Que nesse País PELO MENOS POR ENQUANTO, está escrita na Constituição e não na Bíblia.
No seu Artigo 226, parágrafo terceiro está escrito o seguinte:
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
Essa Lei foi criada na Constituição de 1988 para proteger as mulheres que vivendo em concubinato não tinham garantias nenhuma. E para proteger e acabar com a figura do filho ilegítimo. Por tanto é, em sua origem, uma lei que pregava o fim de um preconceito arcaico. Porém, ao fazer isso ela criou outro. O de que só existe família oriunda de um homem e uma mulher. Então, amiguinhos, para começar, nem Serra nem Dilma podem prometer UNIÃO ESTÁVEL para homossexuais, por que isso implica em uma reforma Constitucional. Que não é como ir tomar picolé na esquina.
O que, afinal eles estão propondo, você me pergunta. Ou não estão propondo, já não sei mais por que estou perdida nas últimas semanas dessa guerra suja. Mas, originalmente, seria a UNIÃO CIVIL HOMOSSEXUAL. Ora, Lilah, e não é tudo a mesma coisa, pergunta você de novo. Não, amiguinho, não é.
A União Civil equipara a relação gay a uma sociedade de direito. Ela regula alguns aspectos de pensão e herança, mas ela não reconhece os parceiros como uma FAMÍLIA. Com essa lei meu filho não tem um CÔNJUGE. Ele tem um SÓCIO. Não é uma União Estável, não tem proteção do Estado, como quando você vai morar com seu namorado e para todos os fatos e atos vocês são casados. E eu estou dizendo que isso é ruim? NÃO! Por que como eu expliquei lá em cima, não dá para fazer UNIÃO ESTÁVEL GAY, sem mudar a Constituição. E a gente não vai sair correndo sem aprender a andar. A UNIÃO CIVIL é o primeiro passo. E se um candidato diz que é contra ela, significa que ele está negando a você, homem e mulher homossexual, direitos básicos mínimos. Vai votar? Faça sabendo que você continuará um cidadão de segunda classe, a quem o Estado Laico nega 37 direitos.
Eu sou uma sonhadora. Eu sei. Talvez esse seja meu maior defeito, ou minha maior qualidade. Ainda não sei. Mas eu acredito que um dia virá em que pessoas que tem AS MESMAS OBRIGAÇÕES frente aos Estado, terão dele as garantias dos MESMOS DIREITOS. E isso meus amigos, só se daria pelo reconhecimento de que não importa que orgão duas pessoas tem entre as pernas, mas quando elas decidem viver juntas, elas são um par. São cônjuges. São amantes. São uma família. Isso só se dará quando o meu filho, o seu filho, o filho do vizinho e todos os outros, independentes de sua sexualidade tiverem o direito de ter seu parceiro como cônjuge, marido, esposa ou seja lá que termo você quiser usar, por que é só retórica, e não como sócios. Por que amor não gera sociedade, amor gera família. E o Estado tem a obrigação de protegê-la. Não a Família da Bíblia. Dessa cuidem os padres e pastores. Mas a do amor. Isso só se dará com o reconhecimento do CASAMENTO CIVIL HOMOSSEXUAL. Que dará os mesmos direitos ao casal gay que os héteros tem. Que os reconhecerá como entidade familiar. Isso é o que acontece em países como Canadá. Mas isso, ainda é uma realidade muito distante em terras tupiniquins. Onde uma eleição para presidente virou caça as bruxas e trouxe para os holofotes os setores mais reacionários, podres e preconceituosos desse país.
11 comentários:
Ocorre que se seu filho nao fosse gay, talvez voce nem teria esse blog, e esse texto poderia nao ter vindo ao mundo.
Tudo é uma questão do 'lado que voce se encontra' e de quais sao os seus interesses.
Eu to nem ai pra 2 gays juntos, bem, eu acho estranho nao nego, mas me acostumo.
Faltou voce falar do outro tema...
Não importa se somos ou temos alguém gay na familia ou conhecido, trata-se em essência de respeito ao ser humano como um todo. Não é admissível que um grupo que se defina como religioso, possa se achar acima dos demais, definindo o que é certo ou errado para os outros. Somos seres humanos e todos temos direito.Respeito deve ser a norma de convivência!E o Estado sempre LAICO!
Engraçado, qdo as pessoas usufruem de uma escola, de uma estrada não vejo perguntarem se foi construída com impostos pagos pelos gays!Aí, não há diferença!Nos deveres somos iguais, nos direitos não? Casamento Civil homossexual é um direito que deve ser posto em pratica e respeitado!
Lilah...sou totalmente favorável a união civil homossexual...e bem disse você o casamento religioso é problema de cada religião...não acho justo duas pessoas (não importa se do mesmo sexo) dividirem suas vidas, construirem vínculos emocionais fortes, construirem um patrimônio, formar uma família, muitas vezes, com filhos, e não contar com o apoio legal que é garantido aos casais de sexos diferentes, casados civilmente ou não...ora se somos todos iguais perante a lei, que se leve essa lei prescípua ao pé da letra...cabe a cada um a escolha daquele(a)com quer compartilhar sua vida...basta de tentar tapar o sol com a peneira...a homossexualidade existe e deve ser respeitada...acabo de saber que hoje um dos candidatos a presidência afirmou ser a favor da união civil homossexual...terá meu voto.
Lilah, adorei seu post. Pena que é mesmo necessária uma reforma constitucional para tornar viável o casamento homossexual. Como muitas outras reformas constitucionais que necessitamos.
E para completar. Não sou gay, sou hétero mas respeito a união gay pois é uma forma de amor, forma de amor essa que sempre existiu na nossa sociedade, desde os gregos, romanos e etc mas que foi obscurecida na idade, valores pobres que carregamos até hoje,na nossa dita "sociedade evolúida". Basta ter mente aberta, parar, refletir um pouco, deixa de ser egoísta. E você verá com clareza as coisas da vida, como elas são e não como vocẽ quer que elas sejam
Excelente post Lilah.
Falou tudo.
Todo ser humano merece respeito.
Infelizmente a maior parte da população não consegue respeitar o seu próximo.
Tenho uma teoria, O Brasil, é solidario nas catástrofes, mas não é capaz de respeitar a opinião do seu próximo.
Beijos.
TUKA.
Lilah, eu ODEIO religião, qualquer uma. E não suporto a mistura de religião e Estado. Sejam católicos, evangélicos, muçulmanos, budistas, espiritualistas, umbandistas, não importa, eu convivo bem e não reclamo de nada, mas não venham pregar nada para mim. Cada um com suas convicções. Quando o Estado mistura-se com religião e nos obriga a viver de acordo com uma delas, é péssimo.
Eu fico com a Fernanda, odeio ter de seguir a vida regrado por pastor padre ou qualquer coisa,e por isso votamos consientes, mais infelizmente essas eleições foram mais de percas que ganhos, e so pra constar Iara se vc não gosta do assunto que vc faz então no blog, vc pode muito bem recolher a sua insgnificansia pq pra mim sua opnião pouco interessa.
Ronaldo
Suas últimas frases falam exatamente o que sinto dessa eleição. Que preguiça, viu?!
Se fosse pensar que a Igreja é quem manda nisso, como estariam os desquitados? Não poderiam se casar novamente... Só que existe o CASAMENTO CIVIL (e eu vou poder casar por esse motivo!). Se a Igreja não aceita casamento homossexual, problema dela. Mas o Estado não deve manter esse preconceito, não. Deveria fazer o mesmo que fez pelos desquitados.
Essa porcariada toda, essa guerra que foi criada a partir de uma eleição tá me enojando...
Onde assino?
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