Confesso a necessidade de escrever e a ausência total de palavras. Não que eu não saiba o que eu quero dizer, mas elas parecem ter me abandonado hoje. Como se fala de amor incondicional quando você se depara com a condicionalidade dele? Como se escreve sobre acolhimento quando se vê todos os dias o movimento contrário? Confesso...não sei.
Eu queria perguntar aos pais se eles tem noção da coragem, da confiança que é necessária para se contar algo que você sabe que eles não querem ouvir. Lembra quando seu filho começou a andar? Os passos trôpegos e sem coordenação, o corpinho balançando. E lembra que você estendeu os braços e disse: vem! e ele veio? Confiança incondicional. Mesmo sem saber como andar, ele sabia que podia ir. Por que você estava ali.
Mãe, pai, sou gay. Quatro palavras. A coragem necessária para dizê-las vai muito além daqueles primeiros passos. Por que, na maioria das vezes, não existem braços estendidos dizendo vem. É quase o teste definitivo do amor. "Olha, eu vou te contar, mas eu preciso saber se você ainda me ama." É isso que seu filho está fazendo. Ele está se despindo de máscaras e dizendo a você, aqui está o eu real, esse sou eu. Me ame como eu sou. Não me peça mais pra mentir. Não me faça mais fingir para você. Eu não quero. Eu não suporto mais.
Todo mundo precisa da certeza de um amor incondicional. É o que nos fez dar aquele primeiro passo. Nós o testamos ao longo da vida, nas birras e brigas infantis. "Olha, eu não sou bonzinho, você ainda me ama?" E o colo estava ali, dizendo a nós que eramos importantes e que estávamos seguros. É isso que seu filho está fazendo agora. Ele está dizendo a você, estou aqui, me segura? Eu sei que não cumpri o roteiro que você queria, mas você ainda pode me amar?
Seu filho não quer que você entenda. Ele não quer de você explicações científicas ou cobranças. Ele só quer saber que você ainda o ama. O resto pode esperar. TUDO pode esperar. Só o abraço e a certeza do amor é que não.
Leiam AQUI o relato que inspira esse texto meio sem palavras...
14 comentários:
Exatamente. Eu tenho experimentado a condicionalidade do amor materno desde o dia em que me assumi. Há praticamente um mês e meio, e nada tem mudado. Aliás, fiquei cada vez mais distante da família, e eles de mim. PAreço inexistir dentro da casa. É muito doloroso.
Hoje mesmo, após ter chorado a noite toda pelo fim do namoro, acordei com um abraço e uma frase: "Eu não te aceitarei nunca, mas eu te amo".
Me pergunto se é para ficar feliz!?
Suas palavras me reconfortam, pois sei exatamente o que escreves e o que tantos outros como eu sentem ao se assumirem.
Beijos, Lilah.
Li o seu texto e o dele pelo Iphone, fazendo bicicleta com meu filhão e me emocionei! Acho que por ter o Thi ali, ao meu lado, não me imagino tendo expectativas em relação a ele que, se não forem sanadas, ele então será renegado! Mas, ao mesmo tempo, entendo a reação dos pais porque cada um possuí um modo de reagir, de expor o que sente. Tem gente que é clara. Tem gente que guarda mágoa. Tem gente que cobra algo em troca. Tem gente que só é amor. Enfim, cada um com seu cada um não é? O importante é dar tempo ao tempo! Paciência: palavra chave!
Sorte e amor para todos os envolvidos!
Bjs
Cada vez me surpreendo um pouco mais com o que encontro na net. Sou gay, militante, orgulhoso de mim, e orgulhoso com o que leio. Se todas as mães do mundo pensassem como você o mundo seria um lugar maravilhoso. Amor de mãe é incodicional (tenho uma mãe que me ama muito, apesar do monte de merdaas que já fiz), mas nem todos são fortes o suficiente para se sobressair a todas as adversidades, novamente tenho como exemplo a minha própria mãe. Quando contei para ele esperei achar um apoio que nunca veio. Ela não me rejeitou, não criou grandes problemas com isso, mas no final acabou não mudando muita coisa. Pq ela simplismente não quer nem saber de minha vida. Faz de conta que não sabe, e eu do meu lado também faço de conta que ela não sabe.
Vou indicar este blog para ela ler rsrsrs quem sabe não aprende mais um pouco... Só falta isso para a minha mãe chegar à perfeição
Me acalenta ler palavras como essas... uma mãe que se importa com o filho acima de qualquer coisa. Quem dera um dia o mundo ser formado apenas por pessoas assim.
Leio o Mãe sou Gay desde o lançamento e não sei pq eu nunca deixei meu comentário.
Sou gay, tenho 19 anos, e há 1 ano e meio "assumi" (sei que vc odeia esse termo) para os meus pais. Passei por terapia, isolamento dos amigos e tive que frequentar igreja. mas hoje eles me defendem e caminham a passos mais apressados para a aceitação.
Sempre me emociono muito com seus posts e por muitas vezes me peguei chorando diante do computador. Mas esse foi talvez um dos que mais me emocionou, não apenas pela minha total identificação, como tambem, por conseguir ver, que com a experiencia que eu to vivendo na reconstrução da minha relação com a minha mãe eu tambem posso ajudar e trazer um pouco de esperança pra muita gente neste momento tão conturbado. E que eu devo começar a agir, assim como voce!
Eu te agradeço pelo seu exemplo.
@guisilviano
Queria que minha mãe fosse como você, nunca tive uma relação fácil com ela agora só piorou. Ela é ironica o tempo todo jogando indiretas pra dizer que minha "melhor amiga" é lésbica. Mexe nas minhas coisas, tenta me afastar dela e a única coisa que ela consegue é a minha tristeza. Nunca gostei de mentir pros meus pais, mas agora não há outra saida e isso me deixa muito angústiada. Sinto como se eu não fosse suficiente pra ela, nunca recebo parabéns por uma conquista nem um consolo depois de uma derrota. Meu irmão nunca foi bom no colégio, nunca se esforçou pra agradá-la e ela sempre passou a mão na cabeça dele. Parece que se eu sair do armário serei ainda mais comparada com ele, mais ignorada. Tenho 17 anos e ainda não faço ideia do que vai ser meu futuro, e tenho muito medo dele e de encarar sem ela. Tenho medo de causar problemas no casamento dos meus pais. Tenho certeza que meu pai já sabe e que me apoiaria, e minha mãe surtaria mais uma vez. Ler seu blog me deixa feliz por ver sua família feliz, mas me da uma pontinha de inveja porque queria conversar com a minha mãe como minha namorada é linda e como ela escreve coisas lindas sobre mim. Quando tomar coragem vou mostrar seu blog aos meus pais. Obrigada por ajudar a tantos como eu.
O post é lindo, os comentários emocionantes.Vou deixar aqui uma frase que aplico sempre em relação a meus filhos
Quando teus filhos vierem te contar algo, e você não souber o que falar, não fale nada, apenas o abrace forte e fique em silêncio, eles precisam de seu braços, seu colo, tuas palavras terão o momento certo, pense bem nelas primeiro, o que você falar, pode afastá-los para sempre, e não há nada mais trsite que os braços de uma mãe ficarem vazios.
Um grande beijo, já disse em diversos comentários que te admiro,mas a cada vez que leio o que escreves, te admiro ainda mais.
Iara
Isso não é um blog é um serviço de utilidade pública!!!!
Parabéns, seriam ótimo que mães, professoras, tias, tios, irmãs, irmãos pudessem passar por aqui e aprender com vc \o/!!!
Beijos...
Seu texto é lindo e digo ainda mais... Queria que minha mãe não fingisse que não sabe de nada. Nunca falei, por que ela tem um sério problema cardíaco e já passei por situação em que ela quase se foi. Mas creio que ela sabe... Só não fala pra não querer se magoar. Uma pena, mas eu a compreendo também.
Bjo
Espero quea divulgação desse teu blog ajude a muitos pais e mães que vivem o mesmo momento que vc viveu(e vive!)
De minha parte eu estou te divulgando!
Passei pra contar que vou fechar meu blog da Accácia,e só vou escrever por aqui!
Se quiser passa lá e toma um café comigo!
Já te linkei pr lá!
Um beijo
É concordo com pandora isso é bem mais que um blog, amei seu texto muito emocionante esclarecedor.......ronaldo
Lilah,
Primeiro gostaria de te dar os parabéns pelo blog. Depois que vi uma postagem fiquei curioso para ver todas elas e fazendo isso (ainda não li tudo) te confesso que meu sonho seria que minha mãe fosse como vc.. rsrs - sério!
Pq vc entende todos os sentimentos e dificuldades que exitem pra nós gays, principalmente quando não se tem o "apoio" da mãe - que vc tanto ama e deixa de ser seu porto seguro.
Queria que um dia ela tivesse a oportunidade de ler pelo menos uma postagem desse blog e pudesse refletir.
Enfim, parabéns por ser quem é. Desejo pra vc e sua família toda a felicidade que a vida possa lhes proporcionar!
Bjo
Putz, enchi os olhos d'agua lendo seu texto. Minha relacao com meus pais nao mudou nem 1% depois q eles souberam que sou gay. Gracas a Deus souberam me mostrar seu amor incondicional. rsrs. P.s. Adoro seu blog!
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