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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Um Bullying Autorizado



Falar de bullying virou ordem do dia. As consequências cruéis do ataque diário, repetido e cruel são tão devastadoras que algumas leis anti bullying vem sendo aprovadas em países mais desenvolvidos. Entre nerds, gordos, baixinhos e tímidos, um grupo no entanto, permanece invisível. Gays. 

Adolescentes gays são vítimas de bullying diariamente. Se forem afeminados ou tímidos é ainda pior. A face mais cruel dessa situação no entanto, não ocorre na escola ou na rua, nem na internet. Ocorre em casa. Por que o bullying homossexual é, na maioria das vezes, autorizado e reforçado pelos pais. O sofrimento desses meninos e meninas não encontra nenhuma compaixão nem proteção no lar. Pelo contrário, de vítimas viram culpados. 

Começa cedo. As vezes ainda criança, que tímida e quieta é chamada de "bicho do mato" pelos próprios pais e cobrada de uma extroversão que ela não consegue dar conta. Começa no menino que volta para casa depois de apanhar na rua e escuta do pai que precisa se comportar como homem. E que muitas vezes apanha de novo. 

Na adolescência, além das dúvidas e temores da descoberta da sexualidade e da necessidade de esconder isso de todos, vem os ataques na escola. Os deboches. As piadas. Brincadeiras de mau gosto. E quando não suporta mais a pressão e pede ajuda aos pais, ouve deles que se ele se comportasse como homem (ou como uma mocinha, no caso de meninas mais masculinizadas) nada disso aconteceria. Que a culpa daquilo é dele, que não sabe se impor. 

Muitos pais se omitem por vergonha. Por que não querem ir na escola defender o filho que demonstra uma sexualidade e um comportamento que ele identifica como errado. Nas escolas o bullying gay é tratado como "coisa de meninos". Adolescentes gays incomodam uma escola que não sabe lidar com a diversidade sexual. E com isso comunicam aos agressores que não existe nada de errado no que está sendo feito. Que "homens de verdade" aprendem a lidar com isso.

E o número de suicídios motivados por bullying cresce assustadoramente. Como crescem os assassinatos de cunho homofóbico. Por que se tolera cada vez mais cedo que um grupo oprima o outro só por que são maioria. Por que se autoriza o bullying quando pais se calam por medo ou vergonha. Quando a escola se omite para não discutir a diversidade sexual. Quando o Estado não reconhece o crime de homofobia. Esses adolescentes estão sozinhos num mundo que diz que seu sofrimento é auto motivado. E que se querem ficar em paz que mudem! Como se eles tivessem essa escolha...

Essa semana, mais um adolescente se suicidou, vítima de cyberbullying devido a sua orientação sexual. Uma criança que talvez nem tivesse claro sua sexualidade. Mais um. Num universo que talvez você desconheça. Num caminho que talvez seu filho ou seu vizinho, seu sobrinho, amigo, parente esteja tomando hoje, quando sai de casa e vai para a escola. E quando volta, machucado, agredido e tendo que esconder isso dos pais, para não ser vitima novamente. Não se cale. Não autorize isso.

Hoje é o SpiritDay, promovido pela GLAAD pelo fim do bullying LGBT e pela visibilidade da comunidade gay. Use Roxo. Mas muito mais que isso, não se omita mais. Se você sabe de algum caso, conhece alguma vítima de bullying LGBT não se omita. Denuncie! Exija providências da escola. Apoie. Amanhã pode ser tarde demais.

9 comentários:

Lidia disse...

Olá, parabéns pelo blog! É importante ver iniciativas familiares de apoio a comunidade LGBT. Passarei sempre aqui, beijos!

Anônimo disse...

A família as vezes é a principal fonte de preconceito que os homossexuais sofrem.
Por não quererem um filho "viado" ou uma filha "sapatão" (deus me livre dessas palavras) Muitos pais punem comportamentos vistos como "não-normais", com a esperança de endireitar seus filhos. Não percebem que dessa forma, estão marcando seus filhos pela vida inteira!
Eu disse uma vez que a frase "nenhuma mãe quer que o filho seja homossexual" é a coisa mais preconceituosa que eu já vi.
A orientação sexual dos filhos cabe aos filhos. Uma mãe tem que querer que seu filho seja feliz, centrado, rodeado de amigos e bem com si mesmo! E os pais tem que entender que eles são em grande parte responsáveis pelo último.

Fica a dica: se seu filho tem alguma diferença, aceite-o, ame-o e o ensine a lidar com isso... Não o humilhe, castigue, chantageie, ou coisa parecida para que ele deixe de apresentar aquele comportamento.


Muito bom o seu blog!!! Parabéns!

Andre V. disse...

Ai. ce fica pautando os meus temas. agora eu VOU ter que escrever sobre isso tambem. :)

Ila Fox disse...

Realmente, acho q o pior sofrimento que um gay pode sofrer é dentro de casa, se ele perder o porto seguro dele em quem ele pode confiar? já escutei alguns pais serem categóricos a dizer que preferem terem filhos drogados à filhos gays! afff, -__-'
Aiai, espero que este mundo ganhe maturidade para encarar as diferenças com extrema naturalidade.

TUKA. disse...

E importante que os pais apoiem seus filhos.
As pessoas falam sobre bullyng mas começam fazendo dentro das próprias casas.
Parabéns pelo post.
TUKA.

Regina Laura disse...

Lilah, todos falam sobre bullying. Poucos fazem alguma coisa a respeito.
Como você bem disse, ele afeta todos aqueles que diferem do "padrão". E pais que querem fazer parte desse "padrão" tendem mesmo a se manter, na melhor das hipóteses, omissos ao sofrimento de filhos que ainda estão tentando se encontrar.
No caso da homossexualidade isso é ainda mais evidente. Afinal, o que os vizinhos vão pensar, não é mesmo?
Mais um texto absolutamente tocante.
Faz a gente sair do topor. Desperta!
Só posso agradecer.
Beijos

kaka disse...

olá... vou re-postar esta postagem em meu blog ... se tratá de basicamente o mesmo assunto, então espero que goste.
http://podefalarglbt.blogspot.com/2010/10/um-bullying-autorizado.html dei todo credito a você. e parabéns pelo seu blog

Anônimo disse...

Amey o post, temos de combater o preconceito em todas as esferas e com todos os nomes, eu sei pq conivo a anos com isso, passei por isso na escola e hoje passo todos os dias......ronaldo

Isa disse...

Olá , Lilah. Acabei de conhecer o seu blog através de pesquisa na web, rs. Estou lendo-o diariamente, e me identifiquei com muito com este post. Tanto por que já sofri o bullying tanto na escola, quanto dentro de casa. Recentemente, assumi publicamente a minha hmossexualidade, e os "efeitos" previstos já estão acontecendo. Ouvi a frase que a cenalesbica citou acima. E o irônico dessa história toda é que a minha mãe é professora de Sexualidade, trabalha com o assunto do bullying homofóbico na sala de aula, sendo que o pratica dentro da própria casa quando faz questão de esconder que tem uma filha lésbica!
É muito triste essa permissividade dos lares brasileiros que compactuam com o assassinato dos próprios filhos! Espero que adolescentes e crianças vítimas de bullying consigam superar da mesma forma que superei. É uma longa caminhada nossa...